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quarta-feira, setembro 23, 2020
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‘Sempre vi o Carnaval como um grande festival’, afirma Margareth Menezes

A cantora Margareth Menezes, com mais de 30 anos de carreira, é um das artistas que vai comandar o Carnaval 2020 de Salvador. Reconhecida por sua energia no palco, pelos hits que se tornaram clássicos da música baiana e por levar a cultura da Bahia por todo Brasil, a cantora se apresenta dois dias na capital. Sua estreia acontece na próxima quinta-feira, 20, no bloco ‘Os Mascarados’, e na sexta-feira, 21, ela puxa o ‘Trio Afropop Brasileiro’.

Em conversa com o Portal A TARDE, Margareth falou sobre a importância que a música tem em sua vida, a alegria de trabalhar com canções que levantam a autoestima das pessoas e a pluralidade do Carnaval da capital baiana. A artista ainda comentou sobre entender o Carnaval como uma possibilidade de geração de renda, da sua participação nas festas de outros estados, com a estreia no Carnaval do Rio de Janeiro, e a expansão do carnaval de rua.

Confira a entrevista completa:

Quando começa sua participação no Carnaval de Salvador?

No dia 20, já começo com ‘Os Mascarados’. Dia 21, tenho o trio Afropop Brasileiro.

E como vai ser sua apresentação nos Mascarados? O que representa?

Como foi o ano passado. O ano passado eles me convidaram para comemorar os 20 anos, depois de 10 anos que eu estava sem cantar no bloco, e eu aceitei. Foi muito bacana, deu muita gente. Os Mascarados é um bloco sem cordas e já faz um movimento expressivo. O pessoal do bloco ficou muito satisfeito e os foliões também. Começaram: ‘Ah, vamos dar um bis e tal’! Aceitei. É um momento especial também, porque faço parte da história do bloco e vai ser muito legal. O ano passado foi maravilhoso e este ano a gente vai repetir esta dose.

Cantora terá repertório marcado por sucessos, músicas novas e homenagens

E como vão ser as outras apresentações?

Dia 21, tenho o trio ‘Afropop Brasileiro’, na Barra também. Que é um projeto meu, que já venho fazendo há muito anos. No dia 22, vou para o Galo da Madrugada, em Recife, no sábado de Carnaval.

No dia 23, tem a escola de samba ‘Unidos do Viradouro’, no Rio de Janeiro, que vai fazer uma homenagem as ‘Ganhadeiras de Itapuã’, com o tema ‘De alma lavada’. É um levantamento belíssimo da história dessas mulheres, descendentes de mulheres negras escravizadas, que compraram suas alforrias e também a de várias pessoas. As ‘Ganhadeiras de Itapuã’ guardam esta memória e o pessoal da Viradouro fez esta pesquisa muito bonita. Eles me convidaram para sair no bloco, no carro que vem na frente da bateria, homenageando as cantoras, as ganhadeiras, mulheres cantoras do Carnaval da Bahia.

A segunda-feira, 24, vou fazer o Carnaval no ‘Circuito Beira-Mar’, em São Luiz do Maranhão, pela primeira vez e, no dia 25, vou para o ‘Palco Polo Ponta Negra’, em Natal, fechar o Carnaval de lá pela segunda vez. Todo ano eles me levam, há seis anos consecutivos. O ano passado fechei o Carnaval. Eles querem de novo. Tenho o título ‘Cidadã Natalense’. É uma alegria este carinho que o povo do Rio Grande do Norte tem pela minha música, pelo meu trabalho. Este é meu Carnaval este ano, bastante movimentado.

Sair em escola de samba é uma emoção diferente?

Com certeza! É a primeira vez que vou fazer isto. Tem uma expectativa diferente. Cantar em Salvador é sempre bom, pioneiro nesse formato com trio elétrico. Contudo, muitas cidades já fazem Carnaval pelo Brasil inteiro. Então, é muito natural que sejamos convidados para fazer esta presença, levar esta nossa música baiana nesses lugares. Esta música da Bahia, que está dentro do movimento do axé music, com a música percussiva. É uma música respeitada no Brasil inteiro, principalmente nesses momentos de festa de rua e a gente tem que atender, então vou para o Rio.

Como vai ser o repertório, vai ter algum lançamento?

Vou colocar algumas músicas do meu disco novo: Perfume de Verão, de Carlinhos Brown e André Lima; Vento Sã, que é da minha autoria, e a música Retrato 3×4, de Peu Meurray, Fabinho Alcântara, Aline Barr e Magary Lord. É uma mistura, são muitas músicas. Vai ter uma homenagem aos 70 anos do Trio Elétrico, outra em homenagem ao Olodum. É muita coisa para cantar. Tenho um repertório extenso, além dos sucessos da minha carreira: ‘Dandalunda’, ‘Alegria da Cidade’, ‘Faraó’, ‘Toté de Maianga’ e ‘Elegibô’.

O que os foliões podem esperar de sua apresentação em Salvador?

Todo ano, acho que todos os artistas da nossa geração, que fazem parte do Carnaval, a gente não pode abandonar nossos sucessos que o povo quer ouvir. As pessoas exigem ouvir Faraó, Elegibô, Raça Negra. São músicas que gravei e são sucessos, Toté de Maianga. Enfim, além dessas têm outras que coloco no repertório. Todos os artistas da Bahia tem esta coisa muito bacana de um cantar a música do outro. Tem músicas do meu repertório que vêm da Timbalada, Daniela Mercury, Ivete Sangalo. Repertório de Carnaval é isto, é tudo que interessa às pessoas ouvirem. Meu repertório é bastante elástico, tem reggae. Vou cantar música de Rael da Rima, Baiana System, Gilberto Gil, Caetano Veloso. Sempre tive esta dinâmica de repertório.

Você vai preparar algum tema especial na fantasia?

Nos Mascarados tem uma fantasia. Tem dois meninos maravilhosos que fazem fantasias lindas. O ano passado fizeram uma fantasia muito bacana. Este ano tem uma fantasia bem legal no primeiro dia, que é ‘Deusa Nefertiti – deusa do amor e da prosperidade’. A fantasia é idealizada pelos estilistas Mario Bentes e Robert Menezes. Criaram uma fantasia para mim, achei bonita e vou usar. Apesar de gostar de ficar a vontade, porque a gente tem muita movimentação, são muitas horas cantando.

Como está a preparação pessoal para o Carnaval?

Tem o acompanhamento da fonoaudióloga Valéria Leal e a equipe dela, que todo ano me acompanha. Tem a otorrinolaringologista Natasha Braga. A gente entra no Carnaval com todo um acompanhamento médico. Tudo isto faz parte deste movimento. Tem meu professor Jairo, que é maravilhoso também. É importante a gente está com bom preparo físico.

Com mais de 30 anos de carreira, como você analisa as transformações pelas quais passou o Carnaval de Salvador, com tantos ritmos musicais?

Sempre vi o Carnaval como um grande festival. Inclusive, sempre no meu repertório teve esta dinâmica. Já convidei Andreas Kisser, Cássia Eller, Emílio Santiago. No meu trio, a gente sempre teve esta dinâmica e a Bahia é isso, é esta pluralidade. Acho isso muito bom que aconteça. A nova geração também está trazendo muitas propostas. Gostei também da maneira como foi pensando o Carnaval pela prefeitura, um carnaval dinâmico, podendo envolver muitos lugares. Acho que é isso mesmo para poder atingir o máximo de pessoas, Carnaval nos bairros. Faz parte! A festa cresceu e não cresceu só aqui na Bahia, cresceu no Brasil inteiro. A gente está vendo esta festa do Carnaval em São Paulo, Rio de Janeiro e a Bahia é a pioneira nisso, então, isto tem que ser visto assim, não só como uma questão de festa, mas também uma questão de geração de renda. Isso é muito importante! Entender que um carnaval, um trio elétrico, um artista, ele está ali levando com ele, trazendo com ele, a possibilidade de geração de renda para muitas pessoas. Então, na verdade, o Carnaval é um grande movimento comercial, que a gente tem que ter este olhar.

Fui à apresentação do Carnaval da prefeitura, achei muito bacana. O Governo do Estado investe nisso. Então, acho importante todo mundo entender o valor dessa nossa cultura, nossa arte. Não só durante o Carnaval, mas durante o ano todo, a gente poder ter projetos aqui que mostrem a nossa música, nossa cultura, a nossa expressão de dança, de teatro durante o ano todo, porque a Bahia tem este potencial artístico incrível. O Carnaval é o ponto máximo, mas não é só, a gente está gerando acontecimento o tempo inteiro. Então, acho que isso é importante, esta visão, procurar maneiras de tirar proveito desse potencial do nosso povo e dessa cultura que a gente tem que atrai tanta gente. Esta cultura afro-baiana atrai o olhar de muitas pessoas do mundo inteiro.

E depois de tantos carnavais, de levar tanta alegria para as pessoas e arrastar multidões, o que ainda te move?

A música. Eu só estou no Carnaval por causa da música. É a música que me move. A música, a cultura, esta representatividade, tantas histórias. Está ali, podendo através do meu talento, poder também participar, colaborar com algumas coisas de uma maneira positiva. Cantando as belezas da nossa cultura, da nossa gente. Essa música que gosto, que levanta a autoestima das pessoas. Isto me motiva a está ali. E as pessoas gostam do meu trabalho, graças a Deus. Nós fizemos agora pouco: eu, o Afrocidade e o Luedji Luna, na Concha Acústica, foi lindo! Tanta gente, foi maravilhoso! Foi uma resposta muito positiva, então, graças a Deus, isto me motiva muito cantar. Cantar me motiva sempre.

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