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quarta-feira, setembro 23, 2020
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Em ano eleitoral, festa religiosa testa a popularidade de pré-candidatos

Bruno Luiz

De um lado, fragmentação. Do outro, unidade. Se a Lavagem do Bonfim é termômetro eleitoral, estas foram as impressões que ficaram para quem acompanhou o bloco formado pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), e o composto por aliados do governador Rui Costa (PT), ontem, em uma das festas religiosas mais tradicionais da Bahia.

Recém-operado de um nódulo na mama, o petista não foi aos festejos por recomendação médica e acabou provocando dispersão no grupo, que não marchou unido durante a caminhada entre a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, até a Colina Sagrada, no Bonfim. ACM Neto aproveitou o vácuo e o fato de já ter escolhido seu candidato a prefeito nas eleições deste ano – Bruno Reis (DEM) – para dar nas ruas demonstração de união da base aliada em torno do atual vice-prefeito.

Ausência de Rui Costa, recém-operado, dispersou grupo político durante caminhada | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE

Grupo de Rui

Representante do governador na Lavagem, o vice-governador João Leão (PP) tentou minimizar o impacto político-eleitoral da ausência de Rui. Disse que a presença de nomes como os senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD) supriria a falta. Mas, os aliados deram mostras da fragilidade do grupo sem seu principal líder. Pré-candidatos a prefeito da base adotaram a estratégia do cada um por si (leia mais na matéria abaixo). Em blocos independentes, tentaram se apresentar à população como figuras aptas a governar a prefeitura de Salvador.

O PSD não esperou ninguém e saiu em disparada com seu bloco, sendo um dos primeiros a chegar na Colina. Diferentemente dos últimos dois anos, quando o presidente do partido, Otto Alencar, e, principalmente, o senador Angelo Coronel marcharam muito próximos a Rui.

Outra ausência notada foi a do deputado federal Pastor Sargento Isidório. Pré-candidato a prefeito pelo Avante, o parlamentar, que aparece como líder em pesquisas de intenção de voto, não deu as caras na festa religiosa com maior componente político do estado.

O PT deu o que falar. Com quatro pré-candidatos a prefeito nas ruas ontem – Robinson Almeida, Vilma Reis, Juca Ferreira e Fabya Reis – a sigla foi cobrada para que defina logo qual deles disputará o pleito. Ex-candidato a prefeito pela legenda e atual secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, Nelson Pelegrino pediu “maturidade” ao partido. “Time que não joga não tem torcida”, afirmou. Líder do PT na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Rosemberg Pinto cobrou celeridade. “O PT erra em ter quatro, cinco candidaturas”, avaliou.

Neto mostrou união da base em torno de Bruno Reis | Foto: Rafael Martins | Ag. A TARDE

Grupo de Neto

Anunciado em 6 de janeiro como nome do prefeito para a sucessão municipal, Bruno Reis aproveitou o primeiro Bonfim como pré-candidato para demarcar a coalizão partidária que o apoia. Era possível ver vereadores, deputados, secretários municipais e presidentes de partido no seu entorno, em uma mostra de que as forças políticas começam a convergir para ele.

Seu esforço em se fazer conhecido pela população, aliado ao fato de esta ser a última Lavagem de Neto como prefeito, fizeram o desfile de sua comitiva mais longo que o normal. Prefeito e vice chegaram à Colina por volta das 14h30. Em anos anteriores, Neto costumava apontar no adro às 13h. No grupo, quem chamou atenção também foi o presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Geraldo Jr. (SD). Cotado como vice na chapa de Bruno, ele diz que só decidirá em março.

Atual secretário municipal de Saúde, Leo Prates foi o fator dissonante em meio à unidade do grupo de Neto. Prestes a se desfiliar do DEM para ser candidato a prefeito pelo PDT, o titular da SMS esteve na festa, mas não participou do cortejo do prefeito. Leo foi preterido por Neto, que optou por Bruno.

Análise

Para o cientista político Cláudio André Souza, a falta de definição de pré-candidaturas no campo de Rui e sua ausência ontem acabaram refletindo na pulverização do grupo. “Não teve mobilização política mais forte, que poderia haver caso as candidaturas já estivessem definidas”, avaliou.

Ele também atribuiu a ausência de Isidório a uma “escolha política”. “Isso mostra uma opção por não dialogar com outras bases eleitorais da cidade, com outros segmentos”, analisou.

Sobre a coesão no campo de Neto e Bruno, Cláudio disse que isso é um indicador de “construção política” do apoio ao vice-prefeito. “Duas coisas pesam na unidade: a avaliação positiva do governo ACM Neto e Bruno Reis apresentando para o grupo viabilidade eleitoral”, afirmou.

Redação
O A Tarde é um jornal diário brasileiro que circula no estado da Bahia. Fundado por Ernesto Simões Filho,[3][4] é o mais antigo jornal impresso baiano em circulação[5] e um dos mais antigos do Brasil,[4] a qual iniciou-se em 15 de outubro de 1912

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