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sábado, agosto 15, 2020
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Carlinhos Brown: “A gente não vai se perder nos 35 anos do axé”

Por Allan Ribeiro

Após ter ficado ausente da folia do ano passado em Salvador, o “cacique do Candeal” Carlinhos Brown deverá ter em 2020 um Carnaval de muitas comemorações. E a principal está ligada à trajetória dele como um dos principais artífices do estilo que se convencionou chamar axé music, que este ano completa 35 carnavais. O cantor, compositor e empresário de origem humilde, que este ano já embalou foliões em São Paulo, último sábado, será uma das atrações da abertura oficial do Carnaval de Salvador, nesta quinta-feira, no circuito Dodô (Barra-Ondina). Em entrevista exclusiva ao A TARDE, Brown fala deste momento e revela algumas novidades.

Qual a sua expectativa para a volta ao Carnaval de Salvador?

Eu gostaria de deixar bem claro, assim, que eu não volto para o Carnaval. Eu estou no Carnaval! E o fato de eu ter saído do Carnaval da Bahia foi para estender as ruas da Bahia e para encontrar tanto no exterior quanto fora do nosso estado, a segurança que eu vi que todos tinham perdido no movimento axé. Eu queria entender por que estavam falando que tinha crise e fui para São Paulo. Fiz o bloco do Brasil em SP com 1 milhão e 800 participantes. Eu estou falando de um milhão e 800 pessoas nas ruas, tenho as fotos, tenho todos os dados e apenas um artista. Então, eu sou artista de onde? Da Bahia! E eu cantei o que lá? Axé! E eu cantei o que todo mundo está cantando em São Paulo. Ah! Tem um bloco que toca Beatles bonitinho, tem um bloco que toca pop rock, mas todos têm as nossas batidas e essa era importância. Eu preciso ter esse respaldo e essa segurança porque o axé music está fazendo 35 anos e eu não sou o que pegou carona, eu sou o criativo, não estou sozinho, é claro! Mas desde a minha banda, que foi a banda de sucesso Acordes Verdes, liderada por Luiz Caldas e desde as gravações primordiais que fiz, que não parei. Então, tem gente que está dentro do axé music que está fora. Isso não é um questionamento, mas é para deixar claro do que estamos sabendo do que estão fazendo.

Sim, o que mais?

Não é atoa que eu estou fazendo um trabalho agora com a coreografa Débora Colker e lá dentro tem gente do Ballet Folclórico, entendeu? Tem o papel de Zebrinha. Então, porque eu quero dizer que esse híbrido é necessário ser notado, porque não é Barra/Ondina, não é Barra/Ondina! É necessário saber que essas extensões, elas estão além e, tudo isso eu falei para fazer aquele negócio desse um dia, desses sete dias de ausência no carnaval, porque eu precisava deste ponto. Então, eu fiz isso premeditadamente, porque eu queria assunto para os 35 anos e, também, era uma coisa que eu ficava dizendo assim: será que eu preciso voltar nos 35 ou nos 40 anos, porque eu também pensei em voltar nos 40, mas não, era nos 35. Porque eu não me afastei do carnaval e em nenhum momento foi uma questão de desgosto, de não querer, não! Eu estou regido por uma cadência histórica. Eu sinto muito em dizer assim, geralmente eu falo com a pessoa assim, sinto muito em dizer, mas ó, eu não tenho mais para onde fugir, eu tenho para onde construir e esse legado que ele deva ser visto assim, que as pessoas percebam que não é apenas bunda de mulato ou muque de peão, essa é uma frase Caetano, que também foi uma música que toquei, ‘Eu Sou Neguinha’ e isso foi de extrema importância.

Gostaria de fazer um trio que voa, mas só teria graça se levasse todo mundo junto”

Este ano tem Camarote Andante?

Não! O camarote andante já disse o que tinha que dizer, o último ano dele foi em São Paulo. Não é uma coisa que eu queira mais, porque o conceito já foi lançado, que as pessoas lancem mão. Bel fez um camarote andante e tem várias pessoas que já fizeram. Você está vendo o Carnaval todo chamado de pranchão? Camarote andante é o que? O pranchão, então já estendeu, o conceito já viralizou, popularizou e, o camarote andante veio no momento como investimento, porque o trio está fazendo 70 anos e no mínimo eu tenho investimento no trio nos últimos 25. Porque recuperei a Caetanave, recuperei o garrafão, criei o camarote andante, criei um trio todo de alumínio, que está na Europa, o Mister Brown, foi esse trio que começou a trazer convidados para a Bahia, o conceito de convidados, a gente não tinha isso. E foi com Marisa, com Milton Nascimento e todo mundo subindo, assim. Porque “nego”, antes vergonha e imaginava que as músicas dos outros não combinavam com essa coisa do carnaval. Então são muitos modelos criados e outros, né? Daniela criou modelos, Margareth criou modelos, Luiz criou, todo mundo criou modelos, eu estou dizendo o que eu fiz e isso é muito importante. Eu me orgulho de ter acreditado no LED, porque quando eu botei no olho LED, nego fez assim: o olho acende!? O LED tinha grossura, deste tamanho era mais grossos que quatro tijolos dobrados juntos, hoje é um paninho, é definitivo e, é isso. Eu gostaria de fazer um trio que voa, mas ele só teria graça se levasse todo mundo junto, ele não podia voar apenas por cima das cabeças, tinha que arrumar uma forma, não vai demorar! Como é? Vamos fazer um Carnaval, vumbora.

Lazzo Matumbi deu uma entrevista à A TARDE FM e ele fez uma crítica: em Salvador os artistas produziriam música apenas para o Carnaval. Você se considera uma exceção nesse meio?

Ele está chamando a atenção, nós nos inserimos e nos autocriticamos. Isso nunca é um problema, porque é um movimento que tem discurso, ele tem razão, porque foi o que eu falei em relação que o Carnaval ficou, o que nós fizemos para ser social, ficou comercial e depois teve uma estetização e teve muita gente pegando carona ao lado e dizendo: olha sou eu, eu sou axé, eu tô fazendo certo, então tá dentro e está fora. O que nós estamos dizendo é que há sobrevivência, também, desse compositor que hoje em 100% de um track ganha três por cento e o intérprete, sete, 10 e 90% fica para a gente não sabe para quem, se prendeu ao comercial. O que é que aconteceu com a Bahia nesses últimos tempos? Os compositores baianos viram que a música sertaneja estava em alta e começou a escrever para a música sertaneja, a ponto do sertanejo imaginar que eles tinham criado o arrocha, imaginava, o que eu to dizendo! Respeito o estilo, mas sou líder do axé music, entendeu? É um equívoco imaginar que o sertanejo criou o arrocha. Eu acho, inclusive, que o sertanejo melhorou modelos nossos de festa indoor, uma das primeiras festas indoor que nós criamos foi TimbalAsa e foi Durval e eu que criamos o Guetto Square. Guetto Square saiu no mundo inteiro e aí isso funcionou e continua funcionando, na verdade nós somos coroas, mas não somos tão velhos assim, que não sabemos o que está acontecendo ou que se passa e, sobretudo, pelo que eu considero. Do mesmo jeito que Luiz diz que o axé é um híbrido, eu digo que é um vírus, um vírus híbrido e que cabem todas as cervejas dentro Heineken, Schin, Skol, Brahma, Corona. Nesse vírus cabem todas as cervejas dentro.

Sobre ‘Sair para Vencer’, que você gravou e fez clipe com Luiz Caldas, qual foi a motivação que gerou esta música?

O axé não está fazendo 35 anos?! Eu nunca gravei um disco de Carnaval, nunca! Tudo que eu recebo eu dou. Então essas músicas que vem para mim tem endereço é para os outros. Poxa, será que se eu gravasse Dandalunda [interpretada por Margareth Menezes] era o mesmo sucesso? Muito Obrigado Axé, é lindo! Mas se Ivetenão cantasse e, mais, se ela não tivesse convidado Bethânia eu não iria para lugar nenhum. Então, eu quis dizer que eu fiz meu primeiro disco de axé, eu tinha que fazer e por isso eu convidei. E sabe como é que eu chamo? Axé Inventions, A de ALÁ, que quer dizer fazedor de cabeças. Já estou botando um ponto, porque quando se traz Oxalá, você já está colocando um ponto de conformidade, um ponto de acerto, deu certo! Eu fiz isso, mas você nem imagina o que eu já tenho gravado. Tenho outra parte, por exemplo, eu estou numa dúvida danada porque eu tenho uma parte internacional que está pronta. Eu gravei com Gipsy Kings, gravei com Glória Stefan, dentre outros artistas que eu preciso guardar os nomes, mas eu precisava fazer uma música cigana para a Bahia, pela força espanhola que nós temos aqui e pelo interesse que nós de cultura negra continuamos tendo pela miscigenação, nós não desistimos da miscigenação, porque desistir é desistir da aproximação social, é desistir desse antipreconceito. Eu estou muito seguro na minha cultura, então eu fui e fiz a música Gipsy, uma música cigana e eu levei a letra da música para os meus amigos e perguntei o que precisa mudar, eles disseram nada. Então estou dando resultados aos meus mestres, que bom ter vivido 57 anos e o que significa que essa música pode mudar minha vida, pela força que ela toma no meio latino agora. Assim como Magalenha mudou a minha e influenciou a música do mundo, Magalenha mudou a clave do mundo. Mas mudou mesmo, agora mesmo é sucesso com DJ, isso é força da Bahia, é a força da música baiana e isso tem autor, e você vê que eu sempre estou batendo na mesma tecla e a gente não vai se perder nos 35 anos. Luiz caldas merecem respeito, Paulinho Camafeu, e tantos outros artistas.

Você vai fazer alguma homenagem a Tony Mola, percussionista, seu parceiro na música no início da carreira, criador do Bragadá, que morreu no fim de 2019?

Está na minha responsabilidade! Eu estou tentando fazer isso com os percussionista, porque, meu irmão, eu tive um encontro com ele um mês antes, estava em Nova York, eu fui resolver uma situação e ele pegou, como ele dirigia em Nova York, ele tinha um carro em N Y, ele disse: poxa, eu vou te mostrar os lados novos de Nova York. Voltando ao assunto de Tony, meu irmão, meu amigo, amigo mesmo, foi no fundo da casa dele que esses ritmos todos se fundiram antes eu vir para o Candeal criar a Timbalada. Era na casa dele, porque ele era o único que tinha estúdio, então, encontrava o baterista Tonho Batera, porque queria fazer as transposições da percussão para a bateria e isso foi importante, por isso o samba reggae chegou para a bateria, que é um toque de samba angola, mas ficou chamado de samba reggae e, nós sabíamos como fazer, né? O que acontece é o seguinte, tem uma cerimônia que a gente gostaria de fazer, porque Tony era do Porto da Barra ao Pelourinho, então o lugar que ele gostaria de jogar as cinzas dele, sempre que ele falava, era o Porto da Barra. Nós queríamos ver, eu estou tentando, porque nem todo mundo tem este coração. De qualquer modo eu vou na quarta-feira de cinzas para depositar as cinzas dele na Barra e eu gostaria que esse Arrastão, que foi inventado por mim e que todo mundo começou a dizer arrastão de fulano. O arrastão não é nem meu, chama Arrastão da Quarta-feira de Cinzas, não é arrastão de Carlinhos Brown, não é arrastão de ninguém, porque é uma coisa para durar para 100 anos, eu não vou durar 100 anos, entendeu? Então, esse ano nós queremos fazer o Arrastão em homenagem a ele e, claro, vamos fazer esse depósito de cinzas com alegria, porque ele é uma pessoa alegre, no Porto da Barra, ali que é o lugar que ele gostaria de estar e essa homenagem será feita, meu irmão Bragadá.

Sobre o The Voice, você não esteve presente no ano passado, mas continua no The Voice Kids em 2020. Tem a pretensão de voltar ao The Voice?

O The Voice tem um contrato de três anos e eu precisava me afastar durante dois anos, já sobre o The Voice Kids é um amor. E, sendo bastante sincero, eu gosto muito do Kids. Eles falam pelo olhar e são muito verdadeiros com os sentimentos.

Redação
O A Tarde é um jornal diário brasileiro que circula no estado da Bahia. Fundado por Ernesto Simões Filho,[3][4] é o mais antigo jornal impresso baiano em circulação[5] e um dos mais antigos do Brasil,[4] a qual iniciou-se em 15 de outubro de 1912

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