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quinta-feira, abril 2, 2020
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Afogamentos: ocorrências no mar sobem 200% no verão

Por Jane Fernandes

Pelo menos cinco pessoas foram resgatadas do mar por dia, durante o mês passado, nas praias da capital, de acordo com estatísticas do Grupamento Marítimo dos Bombeiros Militares (GMar) e do Salvamar – Coordenadoria de Salvamento Marítimo de Salvador. Em 2019, a média de resgates por mês ficou em 133, com o registro de 13 óbitos. Esse ano, até o último dia 11, seis pessoas morreram afogadas na capital baiana e 62 resgates foram realizados.

O caso mais recente aconteceu no dia 9 de fevereiro, quando o jovem Marcos Vinícius Guimarães Santos, 23 anos, desapareceu no Jardim de Alah após tentar salvar uma amiga. Seu corpo foi encontrado na última terça-feira, na Pituba.

“Entre novembro e fevereiro, as ocorrências crescem pelo menos 200%, seja de afogamento, crianças perdidas, atendimento de pessoas com mal súbito…”, diz o subcomandante do GMar Luciano Alves. Os 112 integrantes do grupamento dos Bombeiros atuam ao longo de 36 quilômetros de praias, cobrindo a extensão da Pituba até o Subúrbio. Segundo ele, a chegada de turistas influencia a estatística do verão, pois nacionalmente esse é o público que mais sofre afogamento, por desconhecer a geografia local e os pontos de maior risco.

Nos dados do Salvamar, os meses de férias concentraram 56% das ocorrências de 2019, mas os sete dias de carnaval – entre a abertura oficial e a quarta-feira de cinzas – chegam a ultrapassar a média dos meses fora do verão. De acordo com o coordenador da Salvamar, Yuri Carlton, esse período festivo concentrou 15% das ocorrências registradas em 2019 pelo grupo vinculado à Secretaria de Ordem Pública.

Tanto Carlton quanto o subcomandante Alves indicam que o consumo de bebidas alcoólicas e uso de outras drogas formam o principal agravante durante o carnaval, somando a fatores como desatenção à sinalização e desconhecimento da praia em questão. “Se beber não nade”, reforça o subcomandante do GMar, acrescentando que sob influência do álcool muitas pessoas acabam se expondo a riscos desnecessários.

Carlton diz que o grande volume de ocorrências durante o Carnaval faz com que o Salvamar estenda a área de atuação, com postos temporários, incluindo dois em Ondina e cinco na Barra, praias que ficam dentro do circuito. Normalmente, os 179 guarda-vidas do Salvamar cobrem a extensão de 26 quilômetros entre o Jardim de Alah e Ipitanga.

De 2019 para cá, algumas das praias com maior número de casos fatais foram Jardim de Alah, Pedra do Sal e Rua da Música (Itapuã), a antiga Rua K. No entanto, não necessariamente o local com mais ocorrências de mortes e resgates é uma praia com mais fatores de risco, pois sempre é necessário considerar o volume de banhistas que vão ao local, conforme esclarece o subcomandante Alves.

No trecho de atuação do GMar, Alves não tem dúvidas de que a praia que oferece mais riscos é a do Buracão, no Rio Vermelho. “É uma praia de tombo, a principal característica é que a onda arrebenta diretamente na praia e tem um aumento abrupto da profundidade”, explica. Mas quanto às ocorrências, ele conta que é o Farol da Barra quem está na liderança, por conta da grande frequência e da presença de uma corrente de retorno muito forte.
Embora sempre fiquem em destaque durante o verão, as correntes de retorno não são características de uma estação ou de um local. “Surge a todo instante sem avisar que está chegando”, alerta o coordenador da Salvamar.
Ondas
Carlton explica que esse tipo de corrente é formada pelo retorno de duas ondas que vêm à praia e voltam em direção ao oceano, exigindo força maior do banhista para não ser arrastado. Ele acrescenta que essas correntes são ocasionadas por valas e buracos próximos à faixa de areia e que muitas vezes dão ao banhista uma falsa sensação de calmaria.

Por conta disso, tanto no GMar quanto na Salvamar, a orientação mais repetida é que busquem informações com os guarda-vidas que atuam no local e observem a sinalização, caso exista. Na ausência de profissionais de salvamento, a recomendação é que adultos estejam com água, no máximo, na altura da barriga, enquanto para crianças o limite de água deve ser até o joelho.

Afogamentos vão da escala de nível de 1 a 6

De acordo com o subcomandante do Grupamento Marítimo dos Bombeiros Militares (GMar), Luciano Alves, a maior parte dos resgates realizados pelos guarda-vidas são de pessoas que não entraram efetivamente em processo de afogamento ou chegaram apenas ao grau 1, nível mais leve de uma escala que vai até seis. Ele esclarece que o início do processo de afogamento é definido pela aspiração de água pelas vias aéreas.

“Em geral quando o banhista é pego por uma corrente de retorno, no primeiro momento ele tenta nadar contra, em seguida vai boiar, para depois entrar em pânico, e é após o pânico que ele vai começar a aspirar o líquido”, detalha Alves. Segundo ele, o ideal é que o guarda-vidas identifique o momento em que a pessoa entrou na corrente de retorno e já proceda o resgate.

“Algumas pessoas, infelizmente, têm uma flutuabilidade negativa, então, quando ela é arrastada, afunda muito rápido, não dá nem para o guarda-vidas visualizar”, alerta o subcomandante. Ele diz que não há uma regra, mas pessoas com volume bastante reduzido de gordura têm mais tendência a ter baixa flutuabilidade.

Remetendo ao protocolo da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, Alves informa que o deslocamento para atendimento hospitalar será necessário a partir do grau 3 de afogamento. No entanto, para o médico emergencista Cláudio Azoubel Filho, o mais seguro é que o acompanhamento médico seja feito a partir do grau 2, pois a quantidade de água aspirado pode gerar alguma complicação.

Azoubel diz que o grau 1 é praticamente o popular “caldo”, o que só provoca tosse no paciente, mas no grau seguinte, é possível ouvir um som semelhante a borbulhas durante a auscultação, causado pela água aspirada. Então no grau 2, ele considera importante manter o paciente em observação de seis a 24 horas, pois essa pessoa pode desenvolver edema ou um quadro infeccioso, como pneumonia.

A partir do grau 3 já há necessidade de hospitalização do paciente, por envolver um quadro de comprometimento respiratório provocado pelo volume de água aspirado, enquanto no grau 4 o agravante é que a pessoa socorrida irá apresentar também queda de pressão, explica o médico.

Conforme conta o emergencista, o grau 5 é caracterizado pela parada respiratória, e o seis, grau máximo, é definido pela parada cardiorrespiratória. Ele ressalta que em ambos os casos, a pessoa resgatada só pode ser transferida após a reversão da parada.

Dicas para evitar afogamentos:

1 – Tome conhecimento das condições do ambiente e obedeça às sinalizações.
2 – Nade em local com guarda-vidas e pergunte aonde é mais seguro.
3 – Não superestime sua capacidade de nadar – 50% dos afogados achavam que sabiam nadar bem o suficiente.
4 – Saiba como reconhecer correntes de retorno e evite-as. Em praias oceânicas mais de 85% dos afogamentos ocorrem nessas correntes.
5 – Evite ingerir bebidas alcoólicas antes do banho.
6 – Em correnteza, não lute, flutue, erga uma das mãos e peça imediatamente por socorro.
7 – Não tente entrar na água para fazer um socorro, chame um socorrista profissional. Se possível jogue algum material flutuante para a pessoa enquanto aguarda os profissionais.
8 – Se estiver com crianças, estabeleça regras rígidas de segurança
9 – Mantenha crianças a uma distância máxima de um braço, mesmo na presença do guarda-vidas.

Fonte: Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático

Redação
O A Tarde é um jornal diário brasileiro que circula no estado da Bahia. Fundado por Ernesto Simões Filho,[3][4] é o mais antigo jornal impresso baiano em circulação[5] e um dos mais antigos do Brasil,[4] a qual iniciou-se em 15 de outubro de 1912

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